Como escapar do aperto ao ganhar presente de Dia das Crianças na fatura?
Vai incluir o presente de Dia das Crianças na fatura do cartão? Confira quais serão os juros em 2026 e descubra 7 dicas para presentear sem se apertar financeiramente.
Alerta: o presente do Dia das Crianças pode acabar gerando uma dívida

O sorriso da criança no dia 12 de outubro é impagável. Já a fatura que chega depois, às vezes, vem acompanhada de juros.
Se a sua ideia é colocar o presente do Dia das Crianças na fatura do cartão, saiba que muita gente pensa assim: segundo dados da CNDL e do SPC Brasil, 34% dos consumidores planejaram parcelar o presente no cartão na última data comemorativa.
Este artigo revela a realidade financeira das famílias brasileiras em setembro, mostra quanto o presente pode realmente pesar no orçamento e traz dicas para comprar sem passar aperto.
Por que é preciso ter atenção ao colocar o presente do Dia das Crianças na fatura em 2026?
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), revelou que, em julho de 2026, 82% das famílias brasileiras estavam com dívidas.
Esse é o sexto mês consecutivo com recordes. Dentre essas famílias, 85,3% indicam o cartão de crédito como a dívida principal, muito acima dos carnês (16,1%) e do crédito pessoal (13%).
O impacto é maior entre quem tem menor renda: nas famílias que ganham até 3 salários mínimos, 84,9% estão endividadas e 38,5% enfrentam contas atrasadas. Em média, essas famílias comprometem 29,5% da renda para pagar dívidas.
83,9 milhões de brasileiros com o nome negativado
Os dados mais recentes da Serasa indicam que, em julho, 83,9 milhões de pessoas estavam inadimplentes no Brasil, a maior marca já registrada. O total das dívidas chega a R$ 586,4 bilhões, com uma média de aproximadamente R$ 6.983 por pessoa.
O cartão de crédito representa aproximadamente 26% das dívidas em atraso.
Juros do rotativo do cartão chegam a 444,9% ao ano
Em 29 de setembro, o Banco Central informou que a taxa média do rotativo do cartão atingiu 444,9% ao ano em agosto, superando os 436,2% registrados em julho.
A taxa do parcelado com juros no cartão ficou em 192,1% ao ano.
Isso significa cerca de 15% ao mês no rotativo. Por exemplo, um presente de R$ 300 que fique um mês nessa modalidade pode aumentar para <strong;cerca de R$ 345, sem considerar o IOF.
Selic diminuiu, mas o crédito ainda está caro
No dia 16 de setembro, o Copom anunciou a queda da Selic para 13,75% ao ano.
Segundo Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, as reduções “devem ajudar a diminuir os custos das novas linhas de crédito e facilitar a renegociação de dívidas com melhores condições”.
O alívio é lento: a taxa do rotativo segue em alta, e atrasar a fatura ainda resulta em custos elevados.
Quanto o brasileiro costuma gastar no Dia das Crianças
O levantamento mais recente da CNDL/SPC Brasil, realizado com consumidores das 27 capitais, revela o perfil dos compradores de presentes:
Os itens mais mencionados como presentes foram roupas e calçados (43%), bonecas e bonecos (36%) e jogos educativos ou de tabuleiro (26%).
O dado que mais chama atenção é este: mais de um terço dos que compram presentes possuem contas em atraso.
7 passos para evitar apertos com o presente de Dia das Crianças na fatura
- Estabeleça um limite de gasto antes de entrar na loja.
- Some todas as parcelas que já constam na sua fatura atual.
- Aproveite o dia com melhores condições para comprar no cartão.
- Prefira pagar no Pix ou à vista para conseguir descontos.
- Faça parcelamentos curtos, de até 3 vezes sem juros.
- Pesquise preços e aproveite programas de cashback.
- Nunca quite apenas o valor mínimo da fatura.
1. Defina um limite de gasto antes de sair de casa
Reserve até 5% da sua renda disponível mensal, ou seja, o que sobra após pagar as contas fixas. Leve uma lista com o presente escolhido para não sair do orçamento.
O principal motivo para os 27% que gastam além do planejado é a compra por impulso ao ver vitrines.
2. Faça uma análise detalhada da sua fatura atual
Abra o aplicativo do banco e confira o total de parcelas futuras que você já tem comprometidas.
Se as despesas de novembro e dezembro ultrapassarem 30% da sua renda, o ideal é pagar o presente à vista ou optar por algo mais simples.
3. Escolha o dia ideal para fazer a compra
Comprar logo após o fechamento da fatura pode garantir até 40 dias para pagar sem acréscimos.
Verifique a data de fechamento da fatura no app. Quem recebe no começo do mês pode aproveitar para comprar logo depois do dia 12.
4. Pix e pagamento à vista podem ser melhores que parcelar
Várias lojas oferecem entre 5% e 10% de desconto para pagamentos via Pix. Num presente de R$ 300, isso pode significar uma economia de até R$ 30, quase o valor de uma parcela inteira.
5. Prefira parcelar em poucas vezes e sem juros
Se for preciso parcelar, opte por até 3 vezes sem juros, assim a dívida termina antes do vencimento do IPVA e das despesas com material escolar.
Fuja do parcelamento com juros no cartão, que segundo o Banco Central está em 192,1% ao ano.
6. Compare preços e aproveite o cashback
Explore ferramentas de comparação, descontos com cupons e programas que devolvem parte do dinheiro.
A Semana do Brasil, no começo de setembro, junto com o Dia do Cliente, em 15 de setembro, são datas que frequentemente trazem promoções antecipadas em brinquedos e roupas infantis.
7. Quite a fatura completa
Pagar apenas o valor mínimo transfere o saldo restante para o rotativo, que é a modalidade mais cara do mercado (444,9% ao ano).
Segundo as normas do Banco Central, o uso do crédito rotativo é permitido somente até a próxima data de vencimento.
Após esse prazo, o banco deve apresentar uma opção de parcelamento, que também inclui juros.
Pix, pagamento à vista, parcelamento sem juros ou rotativo: qual escolher?
Estimativa baseada nas taxas médias divulgadas pelo Banco Central para agosto de 2026.
A conta do cartão já está apertada? Veja como agir
Entenda o limite máximo de juros do cartão
Desde janeiro de 2024, a Lei 14.690/2023 estabelece que os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem ultrapassar 100% do valor original da dívida.
Ou seja, uma dívida de R$ 300 não deve acumular mais que R$ 300 em juros. Ainda assim, ver o valor do presente dobrar no bolso é um peso grande.
Substitua a dívida cara por uma opção mais acessível
Com a queda da Selic, vale a pena buscar no banco uma opção de parcelamento da fatura com juros menores ou um empréstimo pessoal mais acessível para pagar o rotativo.
Antes de fechar o acordo, avalie o Custo Efetivo Total (CET) para garantir que está fazendo um bom negócio.
Renegocie quando a fatura estiver atrasada
Portais como o Serasa Limpa Nome reúnem diversas propostas de renegociação de diferentes empresas.
De acordo com a Serasa, entre maio e julho de 2026, foram firmados mais de 14 milhões de acordos, um aumento de 41% em relação ao mesmo período de 2025.
Visão do autor
Após muitos anos escrevendo sobre finanças pessoais, notei que o aperto raramente surge por causa de um único presente.
O problema está na junção de várias parcelas pequenas que parecem inofensivas em outubro, mas se acumulam até janeiro.
Com 82% dos brasileiros endividados e o rotativo alcançando cerca de 445% ao ano, o cartão passou de um alívio para a maior fonte de pressão no orçamento.
Minha dica é: encare o Dia das Crianças como a primeira data de um “trimestre de consumo” que se estende até o Natal.
Estabeleça um orçamento único para outubro, novembro e dezembro, prefira pagar via Pix quando houver desconto e utilize o cartão apenas para parcelamentos curtos e sem juros.
Crianças guardam mais a lembrança do tempo ao seu lado do que o valor do presente. Assim, você começa 2027 com as finanças organizadas.






